“Prefiro não me apaixonar, parece mais fácil” – ela disse.
E eu, rápido como sempre disse que só parecia ser. Porque a sensação de estar apaixonado é outra coisa, é algo muito bom, beira a surrealidade. Sentir o coração bater só de ver a pessoa, se sentir vivo sem precisar saltar de paraquedas toda semana ou pular de bung jump.
O problema é que parece que se apaixonar por alguém que não é apaixonado por você é foda e a gente só se fode um de cada vez, mas vez ou outra, vem um casal e o ciclo.
Acontece de vez em quando. A vida da uma chance para que um casal pare essa roda do desencanto e os dois se apaixonam um pelo outro! Reciprocidade. E isso é lindo!Mas é um caso raro. Ainda mais hoje em dia, num mundo em que todos querem relacionamentos rápidos, superficiais e com o mínimo de envolvimento possível.
Isso é o que gera os grandes filhos e filhas da puta que todo ser humano já conheceu um dia.
O caso épico e comum da pessoa que se apaixona por outra e a outra finge estar apaixonada, isso gera traumas emocionais e amorosos e no fim as pessoas se afastam, se esfriam e aprendem a “controlar” suas paixões.
O caso épico e comum da pessoa que se apaixona por outra e a outra finge estar apaixonada, isso gera traumas emocionais e amorosos e no fim as pessoas se afastam, se esfriam e aprendem a “controlar” suas paixões.
Mas se controlar a custo de que?
Tem de se perder algo pra ter o controle, eu imagino a vida como um jogo, um rpg da vida real. Todo ser humano tem habilidades passivas e ativas, e o controle sobre elas. Alguns nascem com umas mais desenvolvidas que as outras, outros aprendem meios de contornar os problemas.
Não quebrar a cara é a vantagem, aprender é o meio, mas ter medo é o pagamento.
E eu, como um ser que adora estar apaixonado nunca quis pagar esse preço.
E quebrei a cara. Depois quebrei de novo.
E ai, quando eu achava que estava tudo solucionado, que tudo estava em seu lugar e a viagem ia ser tranquila... Quebrei mais uma vez.
Mas vivi e vivo sem medo... E já quebrei o ciclo da paixão utópica duas ou mais vezes, já me apaixonei perdidamente por mulheres que se apaixonaram mais perdidamente ainda por mim. E de tudo isso, o mais importante foi quebrar a cara. Porque quando eu estava lá embaixo, lá no fundo. Eu sabia que, por não ter medo, uma hora alguém ia passar e me jogar uma corda.
E passaram... E jogaram a corda e eu me reergui. A dor de quebrar a cara sumiu. Eu aprendi a não quebrar a cara e não a "não me apaixonar para não quebrar a cara".
Aprendi as coisas por partes, não quis pular os níveis, e a recompensa foi maior.
Hoje em dia, forte é aquele que se isola, que é frio, que não liga e não quebra a cara. Mas não vive as paixões que aparecem e isso é foda porque parece que quando nós, do tipo que se joga de cabeça, resolve se envolver com alguém que tem medo surge um problema de feedback. E o que era pra ser uma via de mão dupla se torna uma via de mão única, com desgastes por ambos os lados.
E isso torna tudo complicado...
Por isso, queridos leitores e leitoras os quais perdem seus quinze minutos diários por aqui... Apaixonem-se! Joguem-se de cabeça, amem mais, se entreguem mais e se quebrarem sua cara, esperem porque alguém vai passar uma hora e se você já sabe se jogar de cabeça fica mais fácil se recuperar. Vivam paixões intensas, peguem fogo!
E sejam felizes!
E feliz fim de mundo pra vocês...