"Voltei-me para ela; Capitu tinha os olhos no chão. Ergueu-os logo, devagar, e ficamos a olhar um pro outro... Confissão de crianças, tu valias bem duas ou três páginas, mas quero ser poupado."
Ai ai, há quem diga que eu não tenho coração. Isso é mentira, mulher pra mim nunca foi objeto. Esses dias eu estava parado pensando na vida e surgiu a idéia, eu vou contar pra vocês a história romântica da minha vida e se engana loucamente quem acha que ela só gira em torno daquela mesma menina, não não não, ela foi sim a principal dentre todas as outras, pra ser sinceiro a minha paixão por ela, que encadeou quase todas as outras paixões, mas calma, eu explico.
.
Vamos voltar no tempo um pouco, na época em que eu estudava no SESI, acho que foi no pré dois. Pré um e dois, isso, o maternal eu fiz na Doce-Infância e não me lembro de ter nenhuma paixãozinha nessa época, mas do pré um ao pré dois eu tinha, é sério, eu lembro o nome e era Rita, o mesmo nome da minha mãe por sinal. Não me lembro em nada da aparência dela, mas acho que era loira, não sei porque, ela me odiava porque eu, desde criança, sempre fui um ser assim que não tem medo de dizer as coisas e em alguns meses eu já me dizia apaixonado por ela, e eu era uma criança ainda, bem criança.
.
Mas é aquela história, paixões passam, e essa passou, no pré 3 eu já estava apaixonado por outra. Ela estudou comigo no pré três e reapareceu depois, da terceira à oitava séries, mas a paixão não durou tanto tempo assim. Não me lembro direito, mas eu fui apaixonado por ela pelo pré três inteiro, eu estudava no Anglo essa época e ela também me odiava.
.
Primeira série. Fui pra Funlec e lá conheci a minha terceira paixãozinha, ela era loira e tinha o cabelo encaracolado e também me odiava, não só ela como a prima dela. Fui apaixonado por ela até os meados da terceira série quando voltei pro Anglo.
Em alguma parte da minha vida, que eu não sei qual é, fui apaixonado pela sobrinha da minha vizinha, que depois se mudou pra Campo-Grande, foi meu primeiro pedido de namoro, eu me arrumei, me preparei, passei perfuminho, ensaiei diante do espelho e fui lá pedir ela em namoro; pra mãe dela... Infância...
.
Mas vamos acelerar um pouco as coisas e me atirar direto à quarta série. É, eu fico meio perdido em tentar alinhar meus pensamentos, mas foi mais ou menos por ai que eu conheci uma das paixões mais marcantes da minha vida, sem ela eu não teria conhecido a mais marcante de todas.
Fui apaixonadíssimo por ela, mas apaixonado com força mesmo, eu mataria por ela sem pensar, eu era loucamente louco por aquela menina e ela em troca me dava amizade, cumplicidade e me tratava como irmão, e eu me contentava com isso, claro, ela foi uma boa amiga e até hoje vez ou outra eu sinto umas pontadas de saudade, a nossa historia é complicada e confusa e eu prefiro não entrar em detalhes, o que importa é que no fim nós paramos de conversar e hoje somos simplesmente conhecidos.
Eu me lembro que ela era bem mais alta, tinha os cabelos curtos, um jeito meio de moleque, mas foi a primeira menina da sala a desenvolver peitinhos e isso naquela época já tinha um certo valor.
Ok, a paixão durou da quarta à sétima, e em um belo dia de sol na cidade de Três Lagoas enquanto estávamos todos sentados nas nossas carteirinhas na sala de aula eu a vi entrar, com cara emburrada e revoltada, com um cabelo comprido e quase liso, uma cara medonhamente medonha da Samanta do "The Ring" e uma expressão de "Que que eu to fazendo aqui?"
Foi quase paixão a primeira vista, quase. Eu ainda era possuído pela menina alta nessa época e permaneceria possuído por mais ou menos uns 3 meses.
A sim, claro esse ser revoltado e estressado com cara de mal que havia entrado na sala, se tornaria a primeira pessoa a me levar do céu pro inferno em questão de meses.
E eu nem pensava que um dia fosse chorar por ela, sentir saudade ou acordar de madrugada abraçando o travesseiro numa solidão doída.
Foi um tempo pra aproximar, um tempo pra passar a aturar e uns dias pra que ela virasse nossa amiga, em poucos meses já eramos quatro; "The frightful four", eu, guria alta, um maluco gordinho a estranha, sempre juntos.
Dá saudade daquela casa onde costumávamos ficar sentados bebendo tereré, daquela árvore onde a gente apoiava os pezinhos e ficávamos o resto da tarde conversando aleatoriedades.
Ainda hoje quando eu passo por aquela rua costumo olhar pro lado da casa e lembrar da imagem dos quatro parados com os pezinhos apoiados na árvore jogando conversa fora. Foi um bom tempo.
E mais uns meses depois de muita conversa, msn e ajuda de Deus, ficou acertado que eu e a estranha iriamos ficar juntos e ponto final. Dá pra se dizer que eu tentei de todas as formas possíveis, e foi difícil, no fim acabou acontecendo, na casa dela, no chão, assistindo filme.
Podemos dizer que foi o meu primeiro beijo, na verdade um esboço de tentativa de beijo. Foi só um rascunho de um beijo que aconteceria uns dias depois. Nos apegamos um ao outro, ficamos juntos por não muito mais do que uma semana até que eu decidi por fim no caso.
Ela era instável de mais, não gostava de ser vista comigo em público, me tratava de forma diferente dependendo do lugar onde estávamos, era complicada a coisa.
Ela não queria mais me ver, e eu queria voltar atrás. É a vida, a gente faz burrada e depois tenta consertar mas nunca da certo, tentei, tentei, e estressei.
Uns meses depois do término ela estava com outro e ai o pau fechou de vez, eu lembro da briga como se fosse hoje mas não vou descreve-la não por pura preguiça, parem pra pensar, ainda preciso falar sobre mais quatro meninas e voltar pra estranha antes de fechar o post.
Foi graças ao nosso querido Zé, um cara que teve peso na minha vida, uma bela tarde de sexta, tomando banho de piscina que eu conheci a terceira paixão da minha adolescência.
Ela tinha uma amiga que era apaixonada por um primo meu.
Ok, por algum motivo eu acabei olhando pra ela e ela olhando pra mim e eu vi que ali nascia mais uma das minhas várias paixões. Foi numa época em que eu estava deprimido e largado pelos cantos graças ao meu último erro de logística amorosa.
Ela estava solteira e não tirava os olhos de mim, tomei coragem e lá fomos eu. Nessa época eu era bem mais tímido, mas tudo correu bem a gente acabou se dando bem. De repente um parou de falar com o outro. Caso rápido, paixonite adolescente, mal saberia eu que ela voltaria pra minha vida meses depois causando um certo estrago.
.
Depois de meses eu reatei amizade com um velho conhecido, graças ao Zé de novo.
Ele pode ser arrogante e pagar de que é melhor que todo mundo na natação, no dota e no tiro, e pode fazer as cagadas dele de vez em quando, mas ele é um bom parceiro, meio boca aberta, mas um bom parceiro, estamos afastados, mas acho que quando eu voltar pro Brasil ele vai estar me esperando, espero pelo menos.
Mas tudo bem, não foi ele quem eu namorei, ou me apaixonei. Acontece que um dia, andando pela casa dele eu topei com um ser humano do sexo feminino, a prima dele. Rapaz, sem sombra de duvida foi paixão à primeira vista, eu olhei pra ela e já pensei "É essa ai com que eu caso!"
E olha, tudo correu bem. Nós ficamos, namoramos por um tempo e de repente surgiu uma paixão antiga, não, não era a menina estranha e sim a menina que eu conheci na casa do Zé.
Foi ai que eu cometi o meu segundo erro de logística amorosa, larguei uma pra ficar com a outra e no fim não fiquei com nenhuma das duas. É isso que dá, a gente tenta abraçar o mundo com as pernas e acaba rasgando o saco.
Mas tudo bem, tava solteiro de novo e em uma madrugada de sábado pra domingo eu, levemente embriagado de vodka depois de chegar de uma festa, entro no msn e me deparo com um amigo cabeludo dizendo "Aow Kasasco, vo te add numa conversa aqui com uma menina que eu to tentando ficar e uma amiga dela."
Foi a minha primeira experiência como wingman.
Deu futuro isso ai, foi nessa noite que eu conheci uma menina que seria minha melhor amiga por um bom tempo.
A gente conversou aquela noite e uns dias depois saímos pra tomar um sorvete, a minha lerdeza não permitiu que algo acontecesse e acabou por não rolar nada no dia, mas o tempo foi passando e no fim deu tudo certo de novo, ficamos, um tempo depois pedi ela em namoro e ela aceitou. Essa é outra das cenas que eu me lembro como se fosse hoje.
Os dois tomando sorvete em baixo de uma árvore, aquele clima não muito quente, não muito frio, um olhando pro outro esperando por algo, era como se já soubéssemos o que viria em seguida. Foi então que eu olhei bem no fundo dos olhos dela e disse "E ai, acho que a gente já ta junto há um tempinho né... Quer namorar comigo? Oficializar isso?" ela deu uma leve corada e disse que sim, que queria.
Um mês, dois meses, e ela me largou. O motivo? Lembra daquela menina estranha lá do meio do texto?
Então, minha namoradinha se enciumou com alguma coisa relacionada à ela e pediu pra terminar. Hoje tanto eu quanto ela vimos que nem deveríamos ter começado o namoro.
Solteiro de novo! E adivinhem! O Zé me aparece mais uma vez, dessa vez propagandeando umas primas dele que moravam logo ali depois do riozinho. "Não, que elas são lindas e uma delas é metaleira e curte anime e são lindíssimas e são fodas, etc. etc. etc."
Teve churrasco na casa dele no dia que elas estavam na cidade e eu não fui convidado, soube depois por fontes seguras que ele não me chamou por medo de que eu agarrasse uma delas, mas o nosso querido amigo Destino gosta de armar pra cima da gente, dentro daquele livro empoeirado ele sempre guarda surpresas e eis que de repente fuçando perfis de orkut eu achei uma das primas dele, o meu maior namoro.
Desculpem as outras, mas ela era perfeita. Sim, sim, é estranho pensar nisso agora mas é a mais pura verdade, eu gostaria de te-la amado como ela me amou mas infelizmente não aconteceu, ela era aquele tipo de namorada perfeita sabe? Mas meu sentimento por ela não passou de paixão, tesão e um pouco de carinho, não e atoa que ela me largou também, no que seria o sétimo mês de namoro.
Foi um namoro estranho, ficamos juntos por três meses e eu terminei dizendo que a situação estava complicada, ela morava longe a grana ia ficando curta mesmo que eu trabalhasse, e a carne era fraca, eu podia acabar traindo ela e tinha o fato de que a família dela não aprovava o namoro e os primos dela em Três Lagoas ficavam barrando e dando impedimento, enfim, era complicado, o real motivo?
A menina estranha, de novo. É, eu estava terminando por que dentro de uns dias eu viajaria pra Minas Gerais com a galerinha da escola.
Eu fiquei levemente desesperado, eu teria aproximadamente treze horas dentro de um ônibus pra convencer aquele ser humano estranho a voltar pra mim. Deu certo.
A princípio tínhamos um combinado muito simples, que no fim deu errado e até hoje me rende uma certa dor de cabeça.
Voltamos pra Três Lagoas e eu não tardei a pedi-la em namoro, foi o pedido de namoro mais bobinho que eu já fiz, foi bonitinho, inocente, com direito a florzinha roubada e tudo mais, começamos a namorar mais ou menos às sete da manha e terminamos meio dia. Sim, estranho. Reatamos depois, mas acho que foi um recorde, o menor namoro da história.
Depois que voltamos, nós ficamos juntos por mais ou menos um mês. Foi um namoro complicado, tanto eu quanto ela entramos na jogada sabendo que íamos perder. E foi o que aconteceu, ela me largou e a gente brigou, um mês depois eu repedi a prima do Zé em namoro e quando a gente completou quatro meses de renamoro onde totalizariam sete meses mais ou menos de uma linda união com um break no meio, ela me larga alegando não me querer mais, na real ela tinha achado outro melhor, eu podia ter batido o pé, dizer que ia mudar e tudo o mais, tentar segurar, mas deixei a coisa fluir.
Essa ideia de achar outro melhor se repetiu na minha vida algumas outras vezes, mas a vida foi seguindo.
Eu e a estranha? Estávamos brigados, na verdade, ela estava brigada comigo enquanto eu fazia questão de espalhar pelos quatro ventos o meu amor por ela.
Ai surgiu a notícia, eu iria embora pra Taiwan, achei que isso logo de cara faria ela mudar de ideia e vir correndo pros meus braços, pedindo desculpas tentando recuperar o tempo perdido, não ocorreu, na verdade ficou na indiferença, quer dizer, nas primeiras semanas ficou na indiferença.
O tempo passou... E o coração de pedra dela parece que amoleceu. Sabe como é né? Ela viu que dali uns dias eu estaria deixando o país e talvez nunca mais tornaria a vê-la.
Mas o tempo passou, e no dia da minha despedida ela surgiu como quem surge do nada. Assim, simples assim, como quem vem de longe e diz oi e da um sorrisinho.
Vou atalhar pra vocês, lembram que eu disse no começo sobre o rascunho do primeiro beijo? Eu não falei sobre o primeiro beijo em si, falei? Então, o real Primeiro Beijo, aquele com toda aquela magia de primeiro beijo, aconteceu no que antigamente era o "Ateliê" da minha avó. Estávamos nós, eu e menina estranha, sentados no sofá da sala, conversando, eu deitado no colo dela como de costume, foi então que o celular dela tocou, ou ela olhou pra hora, não lembro, só lembro que ela tinha que ir embora.
Eu insisti "Não vai não, fica mais 15 minutos" Ela, sempre mais esperta que eu, quase a Capitu, disse "Faz, assim, eu te dou um beijo e vou embora." Eu aceitei.
Acho que tinha mais alguém na casa além de nós e por isso fomos pro quartinho que servia de ateliê, e foi lá primeiro beijo de verdade.
Então, dessa vez, quem iria embora era eu. A cena foi parecida, estávamos no mesmo sofá, mas dessa vez em outro cômodo da casa e ela olhou pra hora e disse que tinha que ir e tomou por decisão que "terminaria" no mesmo lugar que começou, quatro anos antes, no ateliê que agora é um quarto.
Teoricamente isso seria um recomeço. Teoricamente. Foi na verdade o início do fim, mas eu prefiro deixar pra falar disso outro dia.
É, ta ai a minha - nada - emocionante história de vida.
.
.
.
Beijos Beijos,
Lucas Casasco, um brasileiro em Taiwan.