Sabe o que eu estava pensando aqui? É páscoa! Ou já foi a páscoa? Ou será páscoa?
É, é exatamente isso, não tem começão de ovo em Taiwan e eu digo começão de ovo porque páscoa nada mais é do que isso. É um monte de trouxa pagando preços absurdos por ovos de chocolate com pouco chocolate e "edições limitadas" que serão vendidas pro resto do ano e que de limitadas não tem nada.
É igual natal. Espírito natalino? Coelho da páscoa? Papai noel? Nada disso ai existe e cada dia mais a gente vê isso.
Sabem como foi o meu natal? Vou ser sincero, o que eu posso chamar de natal, de verdade mesmo foi comer um big mac ao lado da Alice e do Guilherme. Da pra se dizer que foi um belo natal, a gente deu risada e fez um brinde à nossa amizade, que hoje em dia não é mais lá aqueeeeeela amizade.
Mas mesmo assim, foi bem mais natal do que muito natal em casas de muitos milhonários por ai onde só trocaram presentes encheram a cara e desejaram "feliz natal" aos parentes e no dia seguinte era só resaca e estomago ruim. O nosso pelo menos, teve um certo sentimento. Um sentimento de união, de que eramos três perdidos em um Mc Donalds em uma tarde de segunda-feira dias após um natal dramático e que apesar de estarmos há mais de sei lá quantos mil kilometros de casa nós tinhamos com quem contar. Ou temos com quem contar, não sei direito em que tempo conjugar esse verbo.
Eu não sei, sinceramente eu não sei. Acho que o melhor resume a minha situação com relação à Gigante é uma música do Teatro Mágico que pouca gente conhece porque ela fica "escondida" depois de um trecho silêncioso da "Reticências" no album "Segundo Ato". É que a música fala algo que se encaixa certinho que é a parte do: "Já que estamos brigados de nada, já que estamos fincados em dor."
É claro que essa música me linka mais diretamente à Gabriela e à Ana Luiza, mas mesmo assim essa parte é realmente complexa. Estamos brigados sem saber o porque. Quer dizer, eu nem me lembro mais o motivo da "briga" que na verdade não foi uma briga e sim uma "separação".
De uma hora pra outra um parou de falar com o outro e agora eu quebro o silêncio que na verdade ainda é silêncioso pois palavras escritas não falam.
É, eu quebro o silêncio em silêncio e esmago o meu orgulho aqui pra dizer algo que eu não digo há séculos: Desculpa.
É sério, eu acho que não peço desculpa a um bom tempo e é isso.
Desculpa, simples assim. Eu sei que é só mais uma palavra e que raramente resolve algo, mas mesmo assim é algo que eu devia pedir. Devia me desculpar sim porque eu sei que fui um cara ruim, fiz umas cagadas nervosas mas em meio a todo o meu castelo de orgulho e toda a minha loucura ignorante eu me perdi e comecei a achar que eu era o rei de um mundo que nem existir existe direito.
Eu achei que eu era algo acima de qualquer ser humano, eu me tornei algo que eu realmente repudio, virei um ser arrogante. Eu uma das três virtudes que eu herdei do meu pai, a mais importante diga-se de passagem, a humildade.
Feito o meu pedido de desculpas eu posso voltar a falar mal da páscoa.
Mas eu deixo isso pra outro dia. Escrever é algo estranho, eu entrei aqui na convicção de que iria falar de páscoa, de coelhinho, de saudade da família e de comer chocolate com os primos e no fim acabei fazendo um pedido de desculpas.
Escrever é isso, é deixar fluir.
Lucas Casasco.
Um brasileiro em Taiwan.