Vamos lá então...
Dialogos do trêm parte 1 de várias...
Primeiro, deixe-me explicar-lhes a situação... É o seguinte: eu ando meio sem saco para escrever alguma coisa mais interessante e como boa parte desse final de semana vai se resumir à viagens de trêm, eu resolvi escrever os diálogos que lá ocorrem. Como vocês sabem eu não vivo seu meu notebook e ele vive no meu colo enquanto o trêm chacoalha pra lá e pra cá, nesse meio tempo eu costumo escrever algo ou simplesmente ouvir música - por favor, façam uma doação pra mim comprar um ipod - ai eu tive a idéia de sair escrevendo sobre o que eu estava falando, sobre a minha conversa... Eu lí e gostei e aqui está um dos primeiros diálogos do trêm:
-Tomara que você vômite seu cérebro - Ele disse.
-Perai! Será que vai fazê frio? - Ela perguntou.
-Ah guria! Que inferno! Eu lá tenho cara de homem do tempo? - Resmungou
-É... Não... Mais mêmo assim eu ainda acho que vai fazer frio, ó lá ó, lá em cima das montanha. Ta veno? Ta cinza né?
-É, ta cinza... E dai? Foda-se! Que se explodam essas núvens todas, que merda.
Cinco minutos depois. Rueisuei
-Ou! Que que é esse negócio marelo alí?
-Eu lá sei? Tenho cara de engenheiro ferroviário?
-É... Não; mas bem que cê pudia sabê né? Nossa, é aqueles gringo de novo né?
-É... São...
-Nossa, eles são bobo né? Pegaro um trêm pra cá, é pertim donde nois tava sô.
-E dai? Se é perto então é barato... Você queria que eles viessem a pé? A é, eles são mórmons, poderiam vir por teletransporte divino... Dã!
-A, sei lá, eles num ama andá de bicicleta num é? Por que que eles num viero de bicicleta então uai?
-Sei lá caralho! Pergunta pra eles! Pergunta pra Deus! Pergunta pro Morpheu! Pergunta pro Cháves!
-Nossa, seu... Seu... Idiota.
Um tempo depois:
-Nossa, do jeito que ocê ta escrevendo até parece que ta conversando com uma criança de cinco ano uai.
-E não estou? Vou começar a gravar você falando e conversando e você vai ver... Na verdade, nem precisa gravar, você acabou de ver seu vídeo tomando sorvete, vai dizer que era mais do que uma criança de cinco anos alí?
-Ah! Idiota. Vai, passa mais música...
-Perai, já terminou as que eu tava passando?
-Dois dois onze, a pedra mais alta, camarada d'água. Parece que sim uai.
-É que aqui ta dizendo que não passou tudo.
-Calma ai, acabou o espaço na memória do celular.
-Hááá! Noob! Celular noob! Lálálá, você não tem quinhentos gigas de memória! - Ele falava com uma vóz rouca tentando imitar um monstro enquanto abria e fechava o notebook como se fosse uma boca e falava: -Rraaarrr rrraaarrr, eu sou grande! Tenho quinhentos gigas de memória! Rrrrarr!
-É, palhaço... Quem é a criança de cinco ano agora sô?
-Éé... Então né... Deixe-me voltar a escrever. E vê se não me importuna mais!
De repente o taiwanês que estava no asento da frente inclinou o banco pra trás.
-Aaah! - Ela deu um grito abafado de nojo e raiva.
-Ah! O que? - Ele perguntou de forma afetadamente raivosa.
-Troca de lugar comiiiigo? - Ela fazia cara de nojo e desispero.
-Por que dessa vez? - Nessa hora seu nível de stress estava altíssimo, ele havia dormido pouco mais de três horas essa noite e até o cheiro do seu próprio desodorante o estava irritando.
-Aaai, esse cara nojento deitou o banco e o braço dele cutucô minha perna. Eeergh! - Ela continuava com aquela cara de nojo, parecia que tinha visto alguém comer uma barata.
-Aaaai, eu sou a menina mais gostosa do mundo, todo mundo quer abusar de mim! - Ele tinha que fazer piada da situação porque meses atrás ela estava reclamando frenéticamente de um host tio que ia na casa dela toda tarde e ficava tentando ataca-la sexualmente. É claro que ele sabia que isso era fruto da imaginação perturbada, perversa e pervertida dela.
-Ai seu retardado, num é isso! Faz assim ó, eu finjo que vou no banheiro e ocê pula pro meu lugar e quando eu voltar eu sento no seu banco! - Nessa hora ela mais parecia uma criança desisperada do que aquele monstro estranho que havia entrado com ele no trêm há quinze minutos atrás.
-Ta, vai. - Ela foi e ele pulou pro asento dela, por algum motivo sinistro o taiwanes do banco da frente retornou o asento à posição inicial. Ela voltou.
-Ta vendo! Ta vendo! Eu troquei de lugar cocê e ele até vortô o banco pronde tava - Ela sussurou e fez cara de nojo.
Cinco minutos depois. Guang Fu.
-Nossa! - Ele pareceia o lobo mal da chapélzinho vermelho - Não resisto à coxa dessas taiwanesas! Zeentem!
-Éca! Cê percebeu? Ela não é cem por cento taiwanesa.
-Mais um motivo pra mim não resistir! Moça, vem cá, me da seu telefone - Era claro que ela não entendia português e mesmo que entendesse ele havia falado baixo de mais.
Mais cinco minutos.
-Cade minha bolsa?
-Ta aqui no chão...
-Pega ela ai pra mim fazeno favô!
-Toma...
Depois disso, tudo correu em paz até a estação de Hualien.